Por: Paulo Chagas | 12/01/2018

O presidente da Organização das Cooperativas (Ocesc), Luiz Vicente Suzin, concedeu essa entrevista exclusiva à reportagem da Coluna Pelo Estado para fazer um balanço do setor em 2017 e projetar o comportamento para 2018. Ele se declara otimista e destaca que o cooperativismo catarinense, referência no país, cresce acima da média, resultado do perfil do cooperado, do trabalhador do estado. “As cooperativas ignoraram a recessão de 2015 e 2016 e continuaram crescendo, com foco no mercado e aperfeiçoamento constante da gestão”, explica. Suzin ainda falou sobre o empenho para aumentar cada vez mais a participação das mulheres e das jovens lideranças no sistema. Da mesma forma, a Ocesc trabalha firmemente o tema da Intercooperação, trabalho integrado entre cooperativas para melhorar a qualidade dos serviços prestados aos cooperados e à sociedade.

 

[PeloEstado] – A Ocesc é uma das mais importantes entidades do segmento no Brasil. Qual o diferencial?

Luiz Vicente Suzin – A Ocesc completou 46 anos de história em 2017. A fundação foi em 28 de agosto de 1971 e, ao longo desse período, tornou-se uma das mais atuantes entidades do setor, coordenando ações que são referência em todo o país, em grande parte por conta do próprio caráter da nossa gente, empenhada, dedicada, participativa. Nesse ritmo, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo em Santa Catarina (Sescoop-SC), parte do Sistema Ocesc, completou 18 anos e promoveu intensa qualificação profissional, envolvendo dirigentes, conselheiros, colaboradores e cooperados, além de seminários para assessores jurídicos, assessores de comunicação, secretárias e gestores.

 

[PE] – A tendência é de crescimento?

Suzin – Sim. O cooperativismo catarinense tem crescido acima da média, especialmente com relação ao aumento das operações e à expansão do número de associados. Cresceu 15% em 2016. Na verdade, as cooperativas ignoraram a recessão de 2015 e 2016 e continuaram crescendo, com foco no mercado e aperfeiçoamento constante da gestão. As 265 cooperativas catarinenses reúnem mais de 2 milhões de associados, mantêm 58 mil empregos diretos e faturam mais de R$ 31,5 bilhões por ano. Passamos ao largo da crise.

 

[PE] – As expectativas são boas para 2018?

Suzin – Estamos otimistas. No plano interno, teremos uma boa safra e não deve faltar matéria-prima para a agroindústria. Não haverá aquela escassez acentuada de milho no mercado interno como ocorreu em 2016, por exemplo. Os preços dos grãos devem reagir e o ano será bom para os produtores rurais e, por extensão, para toda a economia brasileira. No plano externo, acreditamos na ampliação das exportações do agronegócio brasileiro.

 

[PE] – O fato de ser ano de eleições gerais pode atrapalhar?

Suzin – Ao contrário. Será uma oportunidade para se discutir o atual estágio da agricultura e do agronegócio brasileiro. E ressaltar as prioridades para o setor, de modo que façam parte do programa de governo dos candidatos. Com certeza a agricultura estará na pauta da campanha eleitoral porque a sociedade brasileira reconhece, hoje, a importância do setor primário como a locomotiva da economia nacional, especialmente nesses tempos de crise.

 

[PE] – Como foi 2017 para as cooperativas de crédito, em forte expansão?

Suzin – Também tivemos boas notícias neste segmento. As cooperativas de crédito foram autorizadas, por lei aprovada no ano passado, a administrarem recursos dos municípios. Essa reivindicação vinha sendo defendida pela Ocesc, pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e pela Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) junto ao Banco Central. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 100/2011, que permite que as cooperativas de crédito possam captar depósitos de prefeituras e de outros entes públicos municipais, foi aprovado no plenário da Câmara dos Deputados e do Senado. O ramo de crédito, em Santa Catarina, apresenta o maior número de associados e a segunda posição em movimento econômico no contexto do cooperativismo do estado. As 62 cooperativas de crédito reúnem 1,3 milhão de cooperados, mantêm 7.356 empregados e movimentaram R$ 5,2 bilhões em 2016. Essa inovação facilitará a vida das administrações dos municípios brasileiros que não contam com bancos oficiais. As cooperativas de crédito, como as de todos os ramos, cumprem um relevante papel social. Estão presentes em todas as cidades, prestando serviços aos correntistas, às empresas e, agora, ao Poder Público municipal. Com certeza, milhares de brasileiros serão beneficiados.

 

[PE] – A cada ano as mulheres ganham mais espaço no setor produtivo. Não é diferente no cooperativismo. Qual o papel da Ocesc nesse processo?

Suzin – Atualmente, entre os 2,1 milhões de associados à Ocesc, cerca de 800 mil são mulheres. Elas participam de assembleias, comitês, grupos de estudos, cursos e vêm ganhando espaço também nos quadros diretivos. Exercem papel fundamental na evolução do cooperativismo e por isso nós as incentivamos. Entre as iniciativas que estimulam a participação feminina no segmento está o Encontro de Mulheres, promovido anualmente pelo Sescoop-SC. Em 2017, o evento reuniu cerca de 900 mulheres, entre lideranças, cooperadas, esposas de cooperados e colaboradoras de cooperativas, além de autoridades políticas e do cooperativismo.

 

[PE] – Também há uma atenção especial para os jovens.

Suzin – Trabalhamos para estimular as jovens lideranças cooperativistas. O Programa JovemCoop, também do Sescoop-SC), formou 151 jovens e seis coordenadores de seis cooperativas em 2017. Participaram  turmas da Auriverde, Cooper A1, Cooperitaipu, Sicoob, Creditapiranga e Coopervil/Sicoob Videira. Os jovens passaram por sensibilização e nove módulos, que abordaram temas como educação cooperativista, protagonismo, relacionamento familiar e interpessoal, gestão rural e organização do quadro social. Cada cooperativa também constituiu sua Comissão Juvenil. O programa é focado na sucessão familiar e permite que os jovens tenham uma boa base para iniciar sua caminhada no cooperativismo. Por isso, o Sistema aposta no JovemCoop e acredita no potencial desses jovens, que são, certamente, o futuro do movimento.

 

[PE] – A Ocesc tem trabalhado bastante o tema da Intercooperação. Fale sobre isso.

Suzin – Intercooperação é um assunto que vem se fortalecendo cada vez mais. É o sexto princípio do cooperativismo internacional e significa que as cooperativas trabalham de forma integrada para servir melhor a seus cooperados. Além de estar presente no dia a dia do nosso segmento, o assunto foi amplamente debatido no Fórum de Dirigentes realizado no ano passado. Ao falar sobre “Intercooperação e alianças estratégicas”, o consultor e empresário Marcelo Prado sugeriu alianças estratégicas ancoradas nos diferenciais comparativos e, também, na competência central de cada um para a geração de valor aos parceiros. Ele destacou que essas alianças produzem resultados notáveis: os parceiros estruturados atingem 90% de sucesso e as empresas engajadas obtêm 20% a mais de lucratividade. São resultados que nos incentivam a dar mais e mais atenção para a iniciativa.

Editado por Andréa Leonora

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Com Assessoria de Imprensa/Ocesc