A diretoria da Associação Empresarial de Lages (ACIL) conheceu, na reunião desta segunda-feira, 28 de setembro, os resultados de uma pesquisa de mestrado que analisou o perfil das exportações nos 18 municípios da Associação dos Municípios da Região Serrana (AMURES). Apresentado por Matheus do Prado Simões, o estudo aponta uma participação ainda limitada da região no comércio exterior, mas identifica oportunidades para ampliar a presença da Serra Catarinense no mercado internacional.
Segundo a pesquisa, apenas nove dos 18 municípios da AMURES realizaram operações de exportação nos últimos dez anos. Entre 2020 e 2024, porém, a região movimentou US$ 2,5 bilhões em exportações. Em 2022, as vendas externas da região representaram 0,13% das exportações de Santa Catarina, o que indica espaço para ampliar a participação regional.
Entre os principais produtos exportados estão papel e cartão kraft, com US$ 84,3 milhões, conservas de carne, com US$ 78,3 milhões, e madeira serrada, com US$ 66 milhões. Os produtos da região alcançam os cinco continentes, tendo os Estados Unidos como principal destino, com valor acumulado de US$ 690,7 milhões desde 2020.
O estudo identifica desafios relacionados ao conhecimento, aos recursos financeiros e aos aspectos culturais. As dificuldades incluem o domínio dos procedimentos e exigências para exportação, os investimentos necessários para atender outros mercados e a adaptação a diferentes hábitos de consumo e formas de negociação.
A capacidade de agregar valor à produção também aparece como um dos pontos a serem trabalhados. A cadeia da madeira é citada como exemplo, já que produtos com maior nível de industrialização podem ampliar o retorno econômico gerado na região.
Outro desafio identificado é a falta de uma estrutura regional especializada em comércio exterior. Atualmente, empresas interessadas em iniciar ou ampliar suas operações internacionais precisam, em muitos casos, buscar apoio em centros como Criciúma e Joinville.
Entre as possibilidades de expansão, a pesquisa destaca o Mercosul, considerando a proximidade geográfica, os acordos comerciais e o potencial de redução de tarifas e custos logísticos. Para empresas que estão iniciando no comércio exterior, o estudo também aponta o Exporta Fácil, dos Correios, como uma alternativa para facilitar o envio de mercadorias ao exterior.