A Serra Catarinense encerrou a temporada de inverno de 2026 com sinais importantes de fortalecimento do turismo regional. Pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC) aponta crescimento real de 4% nos gastos dos turistas em relação ao ano anterior, além de mudanças no perfil de quem visita a região e na forma como esses visitantes consomem, se hospedam e escolhem suas experiências.

Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (3), em São Joaquim, durante reunião da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio SC. Realizado desde 2017, o levantamento permite comparar o comportamento do turismo de inverno ao longo de quase uma década e oferece indicadores importantes para empresários, gestores públicos e entidades ligadas ao desenvolvimento turístico.
Entre os principais resultados está o aumento do gasto médio dos grupos de turistas, que chegou a R$ 3.852 na temporada. Hospedagem e alimentação concentram a maior parcela das despesas, enquanto 80% dos visitantes afirmaram ter realizado compras no comércio local. Os turistas que chegaram de avião apresentaram o maior nível de consumo, com gasto médio de R$ 5.995 por grupo. Já os excursionistas registraram média de R$ 664.
Serra atrai público de maior poder aquisitivo
Um dos aspectos que mais chama atenção na pesquisa é a transformação do perfil socioeconômico dos visitantes. Em 2026, 41,5% dos turistas declararam renda familiar superior a oito salários mínimos, tornando essa faixa predominante entre os visitantes. A participação daqueles com renda acima de 15 salários mínimos praticamente dobrou na última década.
Ao mesmo tempo, houve retração nas faixas de menor renda, indicando que a Serra Catarinense vem se consolidando como um destino capaz de atrair um público com maior poder de consumo e interessado em experiências diferenciadas.
Para Henrique Folster, representante titular da Instância de Governança Regional (IGR) Serra Catarinense na Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio SC, os números ajudam a compreender o momento vivido pelo setor.
Como representante da IGR e integrante da Câmara, Folster destacou a importância da pesquisa para orientar as decisões da região. Segundo ele, o levantamento funciona praticamente como uma “bússola” para identificar onde é necessário investir, melhorar e buscar novos empreendimentos.
Ele também ressaltou que a pesquisa mostra um turista mais qualificado, com aumento da presença de visitantes de maior renda e crescimento da procura por experiências como o enoturismo.
Turismo regional ainda é fundamental
Apesar do avanço da presença de turistas de outras regiões do país, Santa Catarina continua sendo a principal origem dos visitantes da Serra. O levantamento mostra que 60,9% são catarinenses, com forte concentração no Vale do Itajaí e na Grande Florianópolis.
Entre os visitantes de outros estados, Paraná e São Paulo aparecem com destaque, especialmente Curitiba e a capital paulista.
Para Folster, o dado reforça a necessidade de continuar fortalecendo o turismo estadual e regional, sem deixar de ampliar a divulgação da Serra em mercados nacionais.
A ampliação da conectividade aérea é apontada como um dos fatores que podem contribuir para esse processo. Em 2026, a participação do transporte aéreo chegou a 9,5%, o maior percentual da série histórica, embora o veículo próprio ainda seja responsável por 82,6% dos deslocamentos.
Os turistas que chegam à Serra de avião percorrem, em média, mais de 1.800 quilômetros, um indicador que demonstra o alcance nacional que o destino começa a conquistar.
Urubici, São Joaquim e Lages concentram fluxo
A pesquisa confirma a concentração do turismo em três dos principais destinos da região: Urubici, São Joaquim e Lages. Urubici aparece com mais da metade das estadias pesquisadas.
Também ganha força o conceito de “hospedagem-destino”, no qual o próprio local de hospedagem passa a ser parte da experiência turística, incorporando elementos de natureza, gastronomia, descanso e enoturismo.
A hotelaria tradicional ainda responde por 53% das estadias, mas os imóveis alugados por temporada já representam quase 30%, impulsionados pelas plataformas digitais.
Outro destaque é o enoturismo. Cerca de 20% dos visitantes afirmaram ter visitado vinícolas durante a temporada, confirmando a expansão de uma atividade que vem diversificando a oferta turística da Serra Catarinense.
Natureza e lazer permanecem entre as principais motivações de viagem, com atrativos como o Morro da Igreja, a Serra do Rio do Rastro e a Serra do Corvo Branco mantendo forte poder de atração.
Satisfação elevada e um alerta para a infraestrutura
Outro indicador considerado positivo pela IGR é o índice de satisfação dos visitantes. Segundo os dados apresentados na pesquisa, 87% dos turistas avaliaram positivamente a experiência de viajar para a Serra Catarinense.
Na avaliação de Henrique Folster, esse resultado está diretamente relacionado à hospitalidade e ao acolhimento encontrados na região.
Por outro lado, os principais pontos negativos apontados pelos visitantes estão relacionados à infraestrutura. O resultado reforça a necessidade de investimentos estruturantes para acompanhar o crescimento do fluxo turístico e a chegada de um público cada vez mais exigente.
Serra começa a superar a dependência do inverno
Um dos aspectos considerados mais relevantes por Folster é a percepção de que a Serra Catarinense começa a reduzir sua dependência da temporada de inverno.
Embora a pesquisa seja direcionada ao turismo de inverno, os indicadores apontam que o visitante está demonstrando interesse em conhecer a região em diferentes épocas do ano. Na avaliação do representante da IGR, isso ajuda a explicar uma aparente contradição registrada entre os números: enquanto os gastos dos turistas cresceram, parte dos empresários avaliou o desempenho do inverno de 2026 como abaixo do esperado.
A pesquisa registra queda de 6% no faturamento percebido pelos empresários em comparação com o inverno de 2025, embora os resultados ainda estejam acima dos períodos de baixa temporada.
Para Folster, esse movimento pode ser interpretado também sob uma perspectiva positiva: a Serra não estaria mais dependendo exclusivamente do inverno para movimentar sua economia turística.
A expansão do enoturismo, do turismo de natureza, da gastronomia e das experiências ao longo do ano contribui para diminuir a sazonalidade e ampliar as oportunidades para os empreendimentos.
Pesquisa é ferramenta para planejar o futuro
Durante a apresentação em São Joaquim, Henrique Folster, na condição de representante titular da IGR Serra Catarinense na Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio SC, agradeceu a continuidade do levantamento e defendeu que a pesquisa permaneça sendo realizada.
Para ele, os dados são fundamentais para a região porque ajudam a identificar oportunidades, gargalos e prioridades de investimento, além de servirem como instrumento de apoio na busca por novos investidores.
A própria Fecomércio SC reforçou a necessidade de articulação entre iniciativa privada e poder público. A entidade aponta como pautas estratégicas para o turismo catarinense a conectividade aérea, a segurança jurídica, questões tributárias e a sustentabilidade.
O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, destacou que a Serra vem se transformando em um destino de maior valor agregado, atraindo turistas de maior renda e elevando o nível de consumo. Para a secretária estadual do Turismo, Catiane Seif, o resultado demonstra que Santa Catarina está avançando na direção de transformar a Serra em um destino de excelência.
Os números apresentados em São Joaquim reforçam, portanto, uma mudança importante: a Serra Catarinense não apenas recebe mais turistas e movimenta mais recursos, mas começa a atrair um visitante diferente, com maior poder de consumo e interessado em experiências diversificadas.
O desafio, agora, é transformar esse crescimento em desenvolvimento permanente, ampliando a infraestrutura, qualificando os serviços, fortalecendo a promoção do destino e, principalmente, fazendo com que a Serra seja procurada não apenas pelo frio e pela neve, mas durante todo o ano.
Fotos: divulgação
Fonte de informações: Fecomércio SC
Diretoria de Comunicação – Conserra
Jornalista Paulo Chagas