Brasília – A volta do recesso parlamentar foi marcada por tensão no Congresso Nacional. Parlamentares da oposição, especialmente ligados ao PL, iniciaram nesta semana um movimento de obstrução que impediu o andamento das sessões tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. A ação inclui estratégias como o não registro de presença, retirada de quórum e até a ocupação da Mesa Diretora com esparadrapos na boca, em protesto contra decisões do Supremo Tribunal Federal e, principalmente, a recente prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os opositores exigem que sejam pautadas matérias como a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, o fim do foro privilegiado e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Segundo eles, o Congresso estaria sendo omisso diante de abusos do Judiciário e da falta de voz para a oposição em temas centrais.
A reação das presidências da Câmara e do Senado foi imediata. O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, criticou o movimento e afirmou que a instituição não pode parar diante de interesses isolados. Ele convocou uma reunião de líderes para tentar restabelecer os trabalhos. Já o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, também encerrou a sessão plenária, afirmando que o caminho deve ser o diálogo institucional.
A crise evidencia a crescente tensão entre os poderes e a dificuldade em se avançar com a agenda legislativa em meio à polarização. Temas urgentes para o país acabam ficando em segundo plano diante de disputas políticas que, embora legítimas no âmbito do debate democrático, não podem inviabilizar o funcionamento do Parlamento.