Lapsos de memória, falta de foco e sensação de cansaço mental fazem parte das queixas de muitas mulheres neste período
Esquecer o motivo de ter entrado em um cômodo, perder o fio da conversa no meio de uma frase ou precisar reler o mesmo trecho várias vezes para entender. Esses episódios, comuns durante a transição para a menopausa, são chamados de “névoa mental”. Eles não são considerados uma doença, mas acabam gerando um desconforto e abalam a autoconfiança das mulheres.
Neste caminho de autoconhecimento e reflexão, até 60% das mulheres relatam sintomas de dificuldade de memória, atenção e concentração nessa fase da vida. A principal causa desse momento está na queda do estrogênio, pois esse hormônio influencia diretamente a comunicação entre os neurônios, a qualidade do sono e o equilíbrio emocional.
“O estrogênio é um hormônio essencial para a saúde cerebral. Quando seus níveis caem, é natural que a mulher perceba impacto na memória, no foco e até no humor. Mas, é importante reforçar: a névoa mental não significa que ela está perdendo suas capacidades cognitivas, e sim que o corpo está em processo de adaptação”, explica a médica ginecologista e obstetra, Dra. Renalda Lima Santos.
O que fazer neste caso?
A névoa mental pode ser intensificada por outros fatores comuns nesse período, como noites mal dormidas, ondas de calor frequentes, estresse elevado e até alterações metabólicas, como resistência à insulina. O resultado é uma sensação de confusão mental que muitas vezes interfere na vida profissional, social e familiar.
Para diminuir a incidência dos sintomas, Dra Renalda recomenda mudanças de hábitos simples, mas consistentes. Garantir noites de sono reparadoras, praticar exercícios físicos regularmente, manter uma alimentação equilibrada, rica em proteínas, fibras, ômega-3 e alimentos naturais, e incluir atividades que estimulem o cérebro, como leitura, aprendizado de novas habilidades ou meditação, são caminhos eficazes para reduzir os sintomas.
“O primeiro passo é validar o sintoma e não ignorá-lo. Sono, nutrição, atividade física e gestão do estresse formam a base. Em alguns casos, a terapia hormonal pode ser considerada, desde que bem indicada e acompanhada por um especialista”, reforça a Dra. Renalda. Ela reforça que quando há informação, acompanhamento médico e suporte familiar, é possível atravessar essa fase com mais equilíbrio, sem que os lapsos de memória definam a vida da mulher.