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Missão técnica aproxima produtores de Campestre do Tigre da indústria vinícola em Otávio Rocha, em Flores da Cunha (RS)

OBS: A reportagem integra a série de produções visando impulsionar a região interiorana da Serra Gaúcha. Faz parte de um projeto amplo, que cria perspectivas futuras para a projeção do turismo, em várias frentes, e, além disso, dar visibilidade a uma região pouco valorizada pelo poder público local.

Uma comitiva de produtores rurais de Campestre do Tigre realizou, na quinta-feira (22), uma missão técnica à Vinícola Venz, em Otávio Rocha (RS), com o objetivo de conhecer de perto o processo industrial do vinho e abrir canais concretos de comercialização para a uva produzida em Campestre do Tigre, comunidade pertencente ao Distrito de Cazuza Ferreira, São Francisco de Paula.

A visita partiu da Estação Cazuza e integrou uma estratégia de aproximação entre quem produz a matéria-prima e quem a transforma em produto final. Recebidos pelo sócio da vinícola, Márcio Venz, e sua equipe, os agricultores acompanharam todas as etapas da cadeia produtiva, desde o recebimento da carga até o envase, compreendendo o destino industrial da uva que poderá ser fornecida pela região.

A articulação da missão técnica é uma iniciativa da Fazenda Angus da Serra, liderada pelo empresário Francisco Marelli. Com parreirais em escala industrial e projeto de moagem local de grande volume, Marelli vem utilizando sua estrutura e relacionamento para estimular a organização da cadeia produtiva. A proposta é garantir mercado, previsibilidade de compra e valorização da produção para pequenos produtores de Campestre do Tigre.

A ação é vista como um passo prático rumo à verticalização da agroindústria local, substituindo a lógica da “venda no escuro” por parcerias comerciais estruturadas. Além da prospecção de mercado, a missão reforça a visão estratégica de industrialização da uva em Cazuza Ferreira, integrando produção, processamento e comercialização no próprio território.

O encontro foi encerrado com uma confraternização entre produtores e representantes da vinícola, simbolizando a união em torno de um projeto de longo prazo para fortalecer a agroindústria da região e consolidar novos arranjos produtivos na Rota das Tropas.

Embora o tema não tenha sido tratado formalmente durante a visita técnica, a experiência também despertou uma leitura estratégica voltada ao turismo. Para Jerre Rocha, que atua na prospecção turística em Cazuza Ferreira, o que foi visto na indústria vinícola em Otávio Rocha sinaliza um caminho possível para o desenvolvimento do turismo rural e do enoturismo na Rota das Tropas, ao integrar produção agrícola, identidade territorial e futura experiência para visitantes.

Por Jerre Rocha / Colaboração: jornalista Paulo Chagas