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Manifestação na Udesc Lages amplia debate sobre segurança e proteção às mulheres

Mobilização retoma pauta discutida há anos por mulheres que estudam e circulam na região

Questões relacionadas à segurança das mulheres voltaram a mobilizar a comunidade acadêmica nessa quinta-feira, 27, em Lages. Estudantes reuniram-se em frente ao Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), para compartilhar preocupações, defender medidas de prevenção e ampliar o diálogo com instituições e órgãos responsáveis pela segurança pública.

A mobilização teve origem em uma situação relatada pela estudante de pós-graduação Liandra Sartor da Silva, cuja residência, segundo ela, foi invadida por um homem em estado de descontrole. O episódio levou integrantes do Coletivo Feminino do CAV a organizar o ato, que também contou com a participação de mulheres, estudantes e representantes do Conselho dos Direitos Humanos e do Conselho das Mulheres.

Mais do que responder a um episódio recente, a manifestação retomou uma discussão que acompanha as estudantes há alguns anos. O Coletivo Feminino surgiu em 2018, após relatos de situações de assédio enfrentadas por acadêmicas no trajeto até a universidade. Desde então, o grupo mantém um canal de comunicação e apoio para troca de informações, relatos e alertas entre as participantes. Segundo integrantes do Coletivo, denúncias formais já foram apresentadas em outras ocasiões. As estudantes relatam, no entanto, a percepção de que ainda faltam respostas permanentes capazes de reduzir a sensação de insegurança e oferecer mais proteção a quem circula pela região.

Para a estudante de pós-graduação Thalia Schilisting, integrante do coletivo, a mobilização também representa uma tentativa de transformar essa preocupação em diálogo e encaminhamentos. “A longo prazo, pretendemos dialogar com a direção da Universidade e com os órgãos competentes para buscar soluções efetivas que garantam o nosso direito fundamental de ir e vir”, afirma.

Uma mobilização que vem de outros anos

A pauta da segurança das mulheres não é inédita na Udesc Lages. A criação do Coletivo Feminino, em 2018, ocorreu justamente em um contexto de relatos de assédio envolvendo estudantes no trajeto entre suas residências e a universidade. A articulação construída desde então permitiu que as acadêmicas mantivessem uma rede própria de apoio e comunicação. A mobilização desta semana deu novo fôlego a esse movimento, ao reunir diferentes experiências em torno de uma reivindicação comum.

Para Liandra Sartor da Silva, o ato ajudou a transformar preocupações individuais em uma manifestação conjunta. “O ato transformou a indignação em uma luta coletiva, denunciando a insegurança enfrentada pelas mulheres e cobrando respostas efetivas das instituições e dos órgãos de segurança”, relata.

Atualmente, o campus conta com dois vigilantes durante o dia e quatro à noite, além de 53 câmeras instaladas em pontos estratégicos. A ampliação do número de câmeras e melhorias na iluminação são medidas adotadas em períodos anteriores. As demandas apresentadas pelas estudantes nesta semana chamam atenção principalmente para a necessidade de articulação também com os órgãos responsáveis pela segurança pública fora dos limites da instituição.

O tema da segurança das mulheres também integra iniciativas desenvolvidas pela Universidade. Ao longo deste ano, a Udesc Lages abriu espaço para divulgar o trabalho da Rede Catarina, da Polícia Militar, e ampliar o acesso a informações sobre prevenção e enfrentamento à violência. Atualmente, outra ação é organizada em conjunto com o Núcleo de Justiça Restaurativa de Lages, a Diretoria de Extensão e o 6º Batalhão da Polícia Militar, com orientações sobre formas de atendimento, canais de apoio e práticas de defesa pessoal.

Diálogo e ações conjuntas

A Direção da Udesc Lages acompanhou a mobilização e manifestou apoio ao debate promovido pelas estudantes. O diretor-geral, Adelar Mantovani, destaca que a construção de respostas depende da aproximação entre universidade, órgãos públicos e comunidade. “A Direção expressa total apoio à mobilização e reconhece a importância de articular ações conjuntas com os órgãos competentes, como a Polícia, a Secretaria da Mulher e a administração municipal, nosso objetivo é implementar medidas efetivas que contribuam para ampliar as condições de segurança das estudantes e da comunidade acadêmica”, afirma Mantovani.

A manifestação encerrou com a perspectiva de continuidade das conversas e de articulação com instituições responsáveis pela prevenção e pela segurança pública. Para as estudantes, o encontro representa mais uma etapa de uma mobilização construída ao longo dos anos. A Udesc Lages, também reforça a importância de manter canais de diálogo e buscar, em conjunto com os demais órgãos, alternativas que contribuam para a proteção da comunidade acadêmica.

Texto e Fotos: Matheus Rosa


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