A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal continua por tempo indeterminado em Lages e outros municípios da Serra Catarinense. Na região, a paralisação começou na terça-feira (15) e envolve as agências de Lages, Correia Pinto, Otacílio Costa, Curitibanos e São Joaquim.
O movimento faz parte da greve nacional dos funcionários da Caixa, iniciada em 10 de setembro, após a categoria rejeitar a proposta apresentada pelo banco para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O principal ponto de divergência é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados.
Situação em Lages e na Serra
Segundo o Sindicato dos Bancários de Lages e Região, a proposta apresentada pela Caixa foi rejeitada na base sindical, levando à paralisação das unidades. A entidade aponta que o reajuste e as condições propostas para o plano de saúde estão entre os principais motivos para a manutenção da greve.
Com a paralisação, o atendimento presencial nas agências permanece suspenso. Os clientes podem continuar utilizando caixas eletrônicos, aplicativo Caixa, internet banking e casas lotéricas para operações disponíveis nesses canais.
Em Lages, a Caixa possui agências em diferentes pontos da cidade, incluindo unidades no Centro e nos bairros Coral e outras áreas. Caixa Econômica Federal
Nova proposta pode mudar o cenário
Após novas rodadas de negociação, a Caixa apresentou na madrugada de quinta-feira (17) uma nova proposta para o Saúde Caixa. Entre as mudanças está a elevação, a partir de 2027, do limite de participação da instituição no custeio do plano, de 6,5% para 9% da folha de pagamento. A proposta também mantém o plano de saúde no acordo coletivo e o chamado pacto intergeracional.
Para 2026, a proposta prevê que não haverá reajuste nas mensalidades e que a Caixa assumirá o déficit do plano. Também estão previstas alterações em valores de coparticipação e regras para atendimentos.
Apesar dos avanços na negociação, a greve continua. Os empregados deverão analisar e votar a nova proposta em assembleias previstas para segunda-feira (21).
Movimento é nacional
A paralisação começou em 10 de setembro e ocorre em diversas regiões do país. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, mais de 90% das bases sindicais haviam rejeitado a proposta anterior apresentada pela Caixa. O principal impasse ficou concentrado no modelo de custeio do Saúde Caixa, embora outros pontos do acordo específico também estejam em negociação.
A greve dos empregados da Caixa ocorre em um contexto diferente da negociação geral dos bancários. A nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária foi assinada em setembro e prevê reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de 0,6% de aumento real em 2026 e 2027, além de reajustes sobre benefícios. Os empregados da Caixa, porém, negociam também um acordo específico com o banco.
Benefícios sociais continuam sendo pagos
A paralisação não interrompe o calendário de pagamentos de benefícios sociais. O Bolsa Família, por exemplo, segue sendo depositado normalmente, e a Caixa orienta os clientes a utilizarem os canais digitais e o cartão de débito quando possível.
O desfecho do movimento agora depende da avaliação dos trabalhadores sobre a nova proposta apresentada pela Caixa. Até a realização das assembleias e eventual aprovação do acordo, o atendimento presencial permanece afetado nas agências que aderiram à greve.