Entrou em vigor nesta terça-feira, 6 de agosto, o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada em julho pelo presidente Donald Trump, estabelece alíquotas de até 50% sobre diversas exportações brasileiras, afetando diretamente setores como o agropecuário e a indústria alimentícia. Produtos como carne bovina, café e alimentos processados estão entre os mais impactados. Já segmentos como aeronaves, energia, alumínio, fertilizantes e celulose foram poupados da sobretaxa, mantendo uma tarifa menor, em torno de 10%.
A medida é vista por analistas como parte de uma estratégia protecionista do governo americano, mas com forte viés político. O Departamento de Estado dos EUA chegou a mencionar, em nota anterior, que a política externa brasileira e o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro foram levados em conta na decisão.
Diante da escalada, o governo brasileiro recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) e implementou tarifas de retaliação com base na nova Lei de Reciprocidade Comercial. O presidente Lula, no entanto, afirmou que não fará contato direto com Trump e buscará apoio diplomático junto a parceiros como China, Índia e União Europeia.
Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a CNA alertaram para possíveis prejuízos econômicos, com estimativas de perda de até 100 mil empregos e impacto de 0,2 ponto percentual no PIB. O Banco Central também se pronunciou, afirmando que manterá a política de juros altos para conter pressões inflacionárias.