O cuidado com os animais envolve ações de prevenção, atendimento veterinário, recuperação e incentivo à adoção responsável. Em Lages, o Centro de Bem-Estar Animal (Cobea) desenvolve serviços voltados à saúde e à proteção animal, com procedimentos que vão desde castrações até atendimentos clínicos, cirurgias e recolhimentos.
Em 2026, até setembro, estima-se que o Centro de Bem-Estar Animal tenha realizado aproximadamente 4,7 mil castrações, 180 atendimentos clínicos e 320 visitas do veterinário itinerante. Os registros também incluem cirurgias diversas, recolhimentos, apreensões de grandes animais e ações de castração de pitbulls.
Os dados mostram a diversidade dos serviços realizados pelo Centro, que incluem tanto procedimentos preventivos, quanto atendimentos direcionados a situações que exigem cuidados específicos. Entre os desafios da assistência veterinária estão os casos de animais feridos, que podem precisar de acompanhamento e tratamentos adaptados às condições de cada animal.
A executiva de Bem-Estar Animal de Lages, Geanice Ledo, destaca a importância do atendimento veterinário e do acompanhamento dos animais durante o processo de recuperação. “O trabalho envolve diferentes etapas, desde o atendimento inicial até os cuidados necessários para a recuperação e a busca por um lar seguro. Cada caso exige uma avaliação específica da equipe veterinária”, afirma.
Tratamento com pele de tilápia auxilia na recuperação de animal ferido
Um destes casos é o de um animal que recebeu o nome de Tilápia durante o tratamento, em referência à utilização da pele deste peixe no processo de recuperação. A cachorrinha chegou ao Centro de Bem-Estar Animal em maio de 2026 para ser castrada. Na época, vivia em situação de rua e estava no cio.
Durante o período pós-operatório, enquanto permanecia em um galpão cedido por uma pessoa conhecida de uma protetora, sofreu queimaduras químicas provocadas por um produto presente no local.
O animal recebeu atendimento veterinário, mas, mesmo com o uso de medicações, continuava sentindo muita dor. Segundo a equipe responsável pelo caso, apresentava dificuldade para deitar e não tolerava as trocas de curativos, o que levou os profissionais a buscar alternativas para auxiliar no tratamento.
A possibilidade de utilizar pele de tilápia surgiu após pesquisas, leitura de artigos científicos e consulta a relatos sobre a aplicação deste material no tratamento de queimaduras em seres humanos e animais. A equipe avaliou a alternativa e decidiu utilizar o material nas feridas do animal.
A pele de tilápia é estudada na medicina por suas características, como, cobertura biológica, que pode ajudar a proteger a área lesionada e favorecer o processo de cicatrização. Seu uso em animais, porém, exige avaliação veterinária específica, e os resultados dependem das condições de cada caso.
De acordo com o relato da equipe do Centro de Bem-Estar Animal, Tilápia apresentou melhora significativa após a aplicação, especialmente em relação à dor e à cicatrização das feridas. Com o passar do tempo, se recuperou, restando algumas cicatrizes, sem comprometimento do seu bem-estar.
Após meses de espera, Tilápia também encontrou um novo lar. A adoção marcou uma nova etapa de sua trajetória, que começou com o atendimento veterinário e terminou com a oportunidade de viver com uma família.
Proteção animal também depende da participação da comunidade
Além dos atendimentos realizados pelo Poder Público, a proteção animal envolve a participação da comunidade na prevenção de situações de risco, na busca por atendimento veterinário, quando necessário, e na adoção responsável.
Manter os animais em ambientes seguros, oferecer alimentação e cuidados adequados e procurar assistência diante de ferimentos são medidas importantes para preservar a saúde e o bem-estar. Suspeitas de maus-tratos também devem ser comunicadas aos órgãos competentes, pelos canais oficiais disponíveis.
A história de Tilápia ilustra um dos desafios enfrentados no cuidado com animais em situação de vulnerabilidade e reforça a importância do atendimento, do acompanhamento durante a recuperação e da busca por um destino seguro após o tratamento.
O trabalho do Centro de Bem-Estar Animal reúne diferentes frentes de atuação, da prevenção à assistência veterinária, com o objetivo de contribuir para a saúde e a proteção dos animais no município.
Como solicitar castração e adotar animais:O cadastro para castração gratuita e microchipagem pode ser feito por tutores elegíveis e protetores na sede do Cobea, na rua Aníbal Afonso de Ataíde, bairro Tributo, ou por telefone e WhatsApp – (49) 3251-7975. O local também atende interessados em adotar cães e gatos.
Texto: Alice Costa
Fotos: Marcos Heitor de Carvalho e Amanda Lins/Divulgação