Entenda o que é o crescente fenômeno do Divórcio Cinza, frequente em casais depois dos 50 anos
Nos últimos anos, um fenômeno silencioso, mas cada vez mais comum, vem chamando a atenção de especialistas e da sociedade: o chamado “divórcio cinza”. Este termo se refere ao aumento das separações entre casais com 50 anos ou mais, que muitas vezes possuem décadas de casamento e uma vida aparentemente estável. A advogada Ellen Aparecida Alves da Silva do escritório Maria Loiva Advogados Associados, especialista em Direito da Família e Sucessões, explica os desafios jurídicos e emocionais que esses casais enfrentam ao optarem pelo divórcio em uma fase mais madura da vida.
“Antigamente, havia uma resistência maior para que casais de longa data se divorciassem, especialmente depois dos 50 anos. No entanto, as mudanças sociais, a independência financeira, principalmente das mulheres, e a expectativa de vida prolongada estão levando mais casais a repensarem suas relações”, explica a advogada. De fato, as estatísticas refletem esse aumento: 30% dos divórcios que são registrados no Brasil, segundo dados do IBGE.
Desafios da partilha de bens
Dra Ellen ressalta que o divórcio nessa fase da vida envolve questões patrimoniais delicadas. “Quando falamos de divórcio cinza, estamos lidando com casamentos de longa duração, o que significa que, ao longo dos anos, o casal construiu um patrimônio considerável, como imóveis, investimentos e até empresas. A partilha desses bens pode ser complicada, especialmente dependendo do regime de bens adotado no casamento”, reflete a advogada.
Ela esclarece que, no regime de comunhão parcial de bens, que é o mais comum, todo patrimônio adquirido durante o casamento é dividido igualmente. “Casais que optaram pela separação total de bens podem ter menos complicações, mas mesmo assim, as questões relacionadas à divisão do patrimônio acumulado requerem uma análise jurídica cuidadosa”, pontua.
Pensão alimentícia
Outro ponto que ganha relevância nos divórcios cinza é a pensão alimentícia. Em muitos casos, especialmente quando a mulher se dedicou integralmente à casa e à família, ela pode ter dificuldades de voltar ao mercado de trabalho. Por isso, observa a advogada, a pensão alimentícia é um direito que frequentemente é discutido. Segundo ela, o juiz considera a necessidade de quem solicita a pensão e a capacidade financeira de quem a pagará. “Em casamentos longos, é possível que a pensão seja vitalícia, garantindo a subsistência de quem ficou mais vulnerável financeiramente após a separação”, afirma.
Para Dra Ellen, o aumento dos divórcios cinza reflete uma mudança profunda na sociedade. “As pessoas estão cada vez mais em busca de realização pessoal. Em vez de continuar em um relacionamento infeliz por conveniência, muitos estão decidindo começar de novo, mesmo após os 50 ou 60 anos”. Ela finaliza com um conselho importante, “antes de tomar qualquer decisão, é essencial que os casais busquem orientação jurídica adequada para garantir que seus direitos sejam respeitados, tanto no que diz respeito à partilha de bens quanto aos direitos previdenciários e pensão alimentícia”, finaliza.
Foto. Crédito: Arquivo Pessoal