Da rigidez do autoritarismo ao equilíbrio do estilo autoritativo, as escolhas dos pais influenciam no desenvolvimento, na autonomia e na segurança emocional das crianças
“Você só vai brincar depois que terminar todas as tarefas e não quero mais ouvir reclamações” ou “Eu entendo que você queira brincar, então vamos primeiro organizar seu material e terminar a lição. Assim você se diverte tranquilo depois. Combinado?”. Nestas duas frases, qual seria a melhor delas para ser utilizada com os filhos? A forma como os pais se relacionam com seus filhos influencia diretamente no desenvolvimento emocional, social e de aprendizagem de crianças e adolescentes. O estilo parental, impacta na forma que se educa os filhos este é construído pelo comportamentos dos pais com base em sua personalidade e a própria educação e vínculo que teve em sua família de origem, ou seja o estilo parental é resultado da própria história dos pais, experiências e referências que elaborou ao longo da vida. Em uma família geralmente há dois estilos parentais do pai e da mãe que resulta muitas vezes em conflitos na educação e condução das crianças.
De acordo com a orientadora familiar, terapeuta de casal e família, Fabiana Ribas, ainda trazemos resquícios de uma geração marcada pelo autoritarismo, na qual a criança “não tinha voz nem vez”, onde prevalecia a obediência e o foco estava em atender o que o adulto determinava, sem espaço para diálogo ou escuta.
Quatro estilos
Atualmente, são classificados quatro estilos principais de parentalidade: autoritário, permissivo, negligente e autoritativo. Cada um deles carrega características próprias e, segundo Fabiana, pode impactar de maneiras distintas a construção da autonomia, do senso de pertencimento e da segurança emocional da criança.
No estilo parental Autoritário, tem como característica a rigidez sendo pouco flexível, baseado em regras sem diálogo. A criança obedece, mas pode desenvolver medo, insegurança e dificuldades de expressão. No Permissivo, é “tudo possível”. Os pais dizem sim para tudo, e a criança cresce sem limites claros, o que pode gerar impulsividade e dificuldades em lidar com frustrações.
O Negligente, é o pior modelo, pois ocorre quando os pais não oferecem atenção nem cuidados básicos, deixando a criança à mercê das próprias decisões, o que pode trazer sérios prejuízos emocionais e sociais. Mas, o melhor modelo é o Autoritativo, onde os pais estabelecem limites, mas com diálogo, afeto e atenção às necessidades físicas e emocionais da criança. É esse estilo que favorece a autonomia, a confiança e o equilíbrio na formação da personalidade.
Equilíbrio diário
Fabiana destaca que, na prática, os pais podem “flutuar” entre esses estilos, mas o desafio está em se aproximar cada vez mais do estilo parental autoritativo, que equilibra regras e afeto. “É nesse espaço que a criança sente que pertence, que é ouvida e que pode crescer com segurança emocional e limites saudáveis”, reforça a orientadora familiar. Os filhos, pondera Fabiana, crescem observando os exemplos, eles são frutos das atitudes dos pais. Multiplicar atitudes positivas, de escuta, diálogo, respeito são características de uma base sólida para um desenvolvimento saudável e equilibrado.