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Frescal de São Joaquim conquista Indicação Geográfica e Serra Catarinense chega à quinta certificação

A Serra Catarinense passou a contar oficialmente com a quinta Indicação Geográfica (IG) reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O anúncio foi confirmado pelo gerente regional do Sebrae/SC, Altenir Agostini, celebrando a conquista do Frescal de São Joaquim como um produto oficialmente vinculado à tradição e à identidade serrana.

O reconhecimento foi publicado nesta terça-feira (19) pelo INPI, que concedeu ao Frescal de São Joaquim o selo de Indicação de Procedência (IP), modalidade de IG que reconhece a reputação e a notoriedade de produtos ligados a um território específico.

A conquista consolida São Joaquim como uma das regiões brasileiras com maior concentração de produtos certificados por Indicação Geográfica. Até então, a Serra Catarinense já possuía reconhecimento para a Maçã Fuji, o Mel de Melato da Bracatinga, os Vinhos de Altitude e o Queijo Serrano.

História construída há séculos

A tradição do frescal está diretamente ligada à história da pecuária no Planalto Serrano. Segundo a documentação apresentada ao INPI, desde o século XVIII tropeiros que cruzavam o Sul do Brasil utilizavam a região como ponto de descanso e engorda do gado. Para conservar a carne durante as longas viagens, surgiu o hábito de salgar e curar os cortes bovinos.

Com o passar dos anos, a técnica foi sendo aperfeiçoada pelas famílias serranas até dar origem ao chamado “Frescal de São Joaquim”, produto conhecido pela maciez, sabor intenso e processo artesanal de cura.

O nome “frescal” também possui uma história curiosa. Conforme registros do processo de IG, a expressão teria surgido há cerca de 50 anos, quando um jornalista paulista provou a carne em uma churrascaria local e comentou que o produto “não era charque nem carne fresca”, mas sim um “frescal”. O termo acabou sendo adotado e popularizado.

Caminho até a certificação

O movimento para buscar a quinta IG da Serra começou oficialmente em 2023, durante a Vindima de Altitude de Santa Catarina. Na ocasião, o Sebrae/SC assinou o contrato para o processo de certificação e iniciou os levantamentos técnicos, diagnósticos territoriais e a organização da cadeia produtiva.

Em março de 2024, durante a 10ª Vindima de Altitude, representantes do Sebrae entregaram ao INPI a documentação necessária para o pedido de reconhecimento da Indicação Geográfica.

Segundo Altenir Agostini, a valorização de produtos territoriais faz parte de uma estratégia para fortalecer a economia regional, gerar renda aos produtores e impulsionar o turismo gastronômico da Serra Catarinense.

Produto típico e patrimônio serrano

O frescal é produzido a partir de bovinos criados nos campos de altitude da Serra Catarinense, alimentados principalmente com pastagens nativas. O clima frio da região, aliado à genética dos animais e ao método artesanal de salga e cura, confere características únicas ao produto.

Diferente do charque e da carne de sol, o frescal passa por um processo mais curto de maturação, preservando a maciez, a coloração rosada e a suculência da carne. O produto já havia conquistado anteriormente o Selo Arte e também foi reconhecido como patrimônio cultural catarinense.

Com a nova certificação, a Serra Catarinense reforça sua posição como referência nacional em produtos de origem reconhecida, unindo tradição, gastronomia e identidade cultural em um território cada vez mais valorizado.