A Câmara dos Deputados decidiu manter o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) após a votação em Plenário que analisou o processo de cassação. A sessão realizada no dia 10 de dezembro registrou 227 votos favoráveis à perda do mandato, 170 contrários e 10 abstenções. Apesar da maioria simples ter sido alcançada, o total ficou abaixo dos 257 votos exigidos para cassação, número equivalente à maioria absoluta da Casa. Com isso, o processo foi arquivado.
O caso chegou ao Plenário após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovar um parecer pela cassação, revertendo o relatório inicial do deputado Diego Garcia, que se manifestava pela manutenção do mandato. A análise no colegiado teve como base a condenação de Zambelli pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que a sentenciou a dez anos de prisão, multa e perda do mandato por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A deputada está atualmente presa na Itália, aguardando extradição, após ter deixado o Brasil antes do início da execução da pena. Mesmo assim, a decisão final sobre o mandato caberia ao Poder Legislativo, conforme determina a Constituição.
O resultado da votação reacendeu debates sobre a relação entre Câmara e STF. Parlamentares contrários à cassação defenderam a necessidade de preservar a autonomia legislativa e o respeito ao rito interno da Casa. Já a oposição argumentou que a decisão do Supremo deveria produzir efeitos imediatos, acusando a Câmara de descumprir uma ordem judicial definitiva.
Com a manutenção do mandato, permanece um impasse político e institucional. Apesar de seguir oficialmente como deputada, Zambelli está impossibilitada de exercer o cargo, já que cumpre pena no exterior. A situação alimenta discussões sobre a efetividade da representação parlamentar e os limites de atuação entre os Poderes da República.