Encontro reuniu lideranças estaduais e municipais, empresários, presidentes de sindicatos e dirigentes da Federação para detalhar medidas de apoio às indústrias catarinenses. Programa é desenvolvido em parceria com o Governo do Estado e o BRDE.
Na quinta-feira (11), no auditório do SESI em Lages, lideranças estaduais e municipais, empresários, presidentes de sindicatos e representantes da indústria catarinense se reuniram para discutir os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. O encontro marcou a divulgação oficial do Destarifaço, programa criado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) em parceria com o Governo do Estado e o BRDE, com o objetivo de mitigar os reflexos econômicos e sociais da medida sobre as empresas e os trabalhadores.
Abrindo o encontro, o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou a importância da união e da atuação conjunta diante do cenário adverso. “Estamos aqui trabalhando para apoiar as empresas e os trabalhadores, porque sabemos do impacto profundo que essa medida pode causar. A história da indústria catarinense é marcada pela resiliência. Mais uma vez, vamos enfrentar esse desafio com trabalho, inovação e solidariedade. O Destarifaço é a prova de que, juntos, governo, empresários e trabalhadores podemos construir alternativas para superar essa crise e manter Santa Catarina na rota do desenvolvimento”, afirmou.

Desde abril deste ano, quando surgiram os primeiros sinais da taxação adicional sobre produtos brasileiros, a FIESC acompanha o caso por meio de análises econômicas, diálogo com empresários e articulações institucionais. Agora, o Destarifaço é apresentado como resposta concreta, reunindo ações que vão desde apoio tributário até linhas de crédito subsidiadas, além de iniciativas de capacitação e recolocação profissional.
A FIESC também divulgou uma nota técnica com projeções sobre os impactos do tarifaço na economia estadual. No cenário mais provável, que considera uma queda de 30% das exportações catarinenses para os Estados Unidos, estima-se uma retração de R$ 1,2 bilhão no PIB e a perda de cerca de 20 mil empregos em até dois anos.
Se a situação se prolongar, o prejuízo pode chegar a R$ 4,9 bilhões no PIB e até 45 mil empregos. No pior cenário, caso ocorra um colapso de 70% das exportações, Santa Catarina poderá perder mais de 100 mil postos de trabalho e aproximadamente R$ 11,5 bilhões de sua economia.
Cenário econômico e medidas imediatas
Diante desse quadro, o economista-chefe da FIESC, Pablo Felipe Bittencourt, apresentou os dados que embasam a urgência das medidas. Segundo ele, o tarifaço ameaça especialmente os setores de madeira, móveis e metalmecânico, mas seus efeitos podem se espalhar por toda a cadeia produtiva. “O cenário é desafiador, mas não intransponível. A FIESC e suas casas, SESI, SENAI, IEL, estão se agilizando para oferecer suporte imediato aos empresários, com medidas concretas de alívio, como a liberação de créditos de ICMS, linhas especiais de financiamento e apoio para acesso a novos mercados. Nosso papel é dar condições para que as empresas mantenham suas atividades e protejam empregos, mesmo em um ambiente internacional adverso”, destacou.
O programa prevê como principal medida a liberação e postergação do ICMS para exportadores, beneficiando centenas de empresas e preservando postos de trabalho. Também estão incluídas linhas de crédito com taxas subsidiadas via BRDE, cobertura parcial de custos fixos e consultorias técnicas gratuitas para reposicionamento de mercado.
A Serra Catarinense aparece entre as regiões mais atingidas pelo tarifaço. Estimativas apontam que, se nada for feito rapidamente, cerca de 4.500 trabalhadores podem perder seus postos de trabalho. O impacto não se restringe à indústria: toda a cadeia produtiva sentiria os efeitos, atingindo o comércio, os serviços, o setor de transportes, e outros.

Essa preocupação foi ressaltada pelo vice-presidente da FIESC para a Serra Catarinense, Paulo César da Costa (Costinha). Ele destaca que o setor produtivo está preocupado não apenas com os impactos imediatos, mas também com a sustentabilidade dos negócios e a garantia de empregos. “O que buscamos, junto com a FIESC, é construir alternativas que assegurem a competitividade e protejam as famílias que dependem da indústria. Também é fundamental trabalhar de forma intensificada o fomento ao mercado brasileiro, para que as empresas possam atuar com mais força no mercado interno. Uma das medidas a ser pensada seria a inclusão da formalização das casas de madeira em programas de habitação, o que abriria novas oportunidades para o setor e ampliaria a geração de empregos na região”, afirmou.
Dada a relevância do tema para a economia da região, a prefeita de Lages, Carmen Zanotto, também esteve presente na reunião. Ela demonstrou preocupação com os impactos do tarifaço e enfatizou a urgência e a importância de ações efetivas que possam mitigar a crise provocada pelas tarifas americanas, reforçando a necessidade de união entre o poder público, o setor produtivo e as entidades de classe.
O diretor Institucional e Jurídico da FIESC, Carlos José Kurtz, reforçou que o trabalho da Federação não se limita ao apoio econômico, mas também envolve articulação política em Brasília e em Santa Catarina. “Estamos mobilizados para garantir medidas legais que aliviem o fardo das exportadoras, como a desoneração da folha de pagamento e ajustes no Reintegra – programa do governo federal criado para devolver às empresas exportadoras. É um esforço conjunto para dar segurança jurídica e previsibilidade às indústrias que mais sofrem com essa situação”, explicou.
A chefe de Gabinete e presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, destacou a importância da articulação internacional e da busca por novos mercados. “Além do enfrentamento imediato, é fundamental abrir portas em outros países. A FIESC está trabalhando com missões comerciais e estratégias de internacionalização para que as empresas catarinenses possam diversificar seus destinos e reduzir a dependência dos Estados Unidos”, ressaltou. Ela acrescentou que estão sendo realizados estudos de inteligência comercial customizados para cada empresa, identificando em quais mercados há maior potencial para promover seus produtos de forma mais direta e assertiva.
O que prevê o programa Destarifaço
Liberação, em três meses, do crédito acumulado de ICMS das exportações, beneficiando 295 empresas e 73 mil empregos, com impacto estimado em R$ 62 milhões;
Postergação do pagamento do ICMS por 60 dias, durante três meses, aliviando o caixa das empresas em cerca de R$ 36 milhões por mês.
Linhas especiais de financiamento via BRDE, no valor de R$ 301 milhões, com empréstimos em dólar e em reais, taxas subsidiadas e prazos de até 36 meses;
Sugestões compreendidas MP 1.309/2025 que apresentam medidas trabalhistas emergenciais, como redução de jornada e salário, férias coletivas e banco de horas negativo.
Ações de suporte às indústrias e trabalhadores, incluindo capacitação, recolocação, apoio psicossocial e consultorias técnicas gratuitas do SESI, SENAI e IEL;
Articulação internacional para diversificar mercados, com missões empresariais e negociações em países como Paraguai, Argentina e Panamá.
Por Catarinas comunicação || Texto Lizzi Borges || Fotos Lizzi Borges/ Jonatan Mota