Saúde

Médicos catarinenses traçam perfil de pacientes com câncer de pulmão que podem usar imunoterapia 

Neste mês, o mundo conheceu os pioneiros da imunoterapia contra o câncer. Os imunologistas,  James Allison ( americano) e Tasuku Honjo ( japonês) receberam o prêmio Nobel de Medicina, pela descoberta desse novo tratamento considerado revolucionário, por usar o próprio sistema imunológico para combater as células cancerígenas.
No Brasil essas medicações estão disponíveis desde 2016, mas devido ao alto custo, beneficia os pacientes que participam de pesquisa clínica ou conseguem através dos planos de saúde ou particular. Esta nova indicação não funciona para todas as pessoas, mas é um caminho que foi aberto para novas pesquisas na área da oncologia.
Médicos catarinenses, por exemplo, foram em busca de informações sobre o perfil dos pacientes com câncer de pulmão, um dos primeiros grupos no mundo a ter indicação do uso de imunoterapia. O estudo buscou apontar a prevalência da expressão de PD-L1 nessas pessoas. É esse biomarcador que vai definir se o paciente poderá ou não receber a nova medicação promissora.  “ Saber a realidade brasileira e local é importante para adaptar o uso dessa nova tecnologia ( tratamento) a nossa realidade. Com isso, buscamos resultados mais promissores nos pacientes com câncer de pulmão”, explica Giuliano Borges, oncologista de Itajaí, participante do projeto.
Eles descobriram que no Sul do Brasil,  cerca de 20% dos pacientes com câncer de pulmão poderiam iniciar o tratamento com imunoterápicos, não precisando passar pela quimioterapia. Esse resultado foi alcançado após a análise de cerca de 300 exames realizados em laboratórios de SC e Rio Grande do Sul. Deste público, 58% eram homens e 42% mulheres.
Esse dado inovador vai ajudar a direcionar o melhor tratamento aos pacientes. Outra informação relevante encontrada é que, por outro lado, 50% das pessoas com câncer de pulmão não têm indicação para usar esse novo medicamento  isolado e, obrigatoriamente vão passar pela quimioterapia. Os demais, podem receber um tratamento associando as duas medicações.
Os números encontrados aqui são distintos da literatura médica mundial, onde mostram que um terço da população com esse diagnóstico na Europa e nos Estados Unidos pode iniciar o tratamento com a nova medicação.

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