Política

Governo do Estado presta contas

Florianópolis – O governador Raimundo Colombo, os secretários de Estado da Educação, Eduardo Deschamps, e da Defesa Civil, Rodrigo Moratelli, o secretário-adjunto da Infraestrutura, Paulo França, e o presidente do Deinfra, Wanderley Agostini, receberam a imprensa, nesta quinta-feira (14), pela manhã, para um balanço de 2017, falando sobre ações concluídas, em andamento e projetadas. Colombo afirmou que todas as obras em execução têm recursos assegurados para serem concluídas, ou seja, não havendo o risco de paralisação por conta da mudança de governo, uma vez que ele terá que se desincompatibilizar em abril para concorrer a uma vaga no Senado.

Atravessar o pior da crise econômica protegendo a economia catarinense foi, para Colombo, o maior legado de seu governo, confirmado nos índices de emprego, por exemplo. “Foi um período muito duro, ainda está sendo, e nosso estado está se saindo muito melhor que outros estados. Até o mês de setembro, Santa Catarina respondeu por 80% dos empregos formais criados no Sul do país e por 22% das vagas abertas no Brasil”, apontou. Por outro lado, colocou como frustrante o enfrentamento à burocracia, “que emperra, tira a eficiência do governo. É uma máquina insensível”.

Ao analisar as três pastas reunidas para a entrevista, o governador falou dos avanços alcançados, com planos de longo prazo, investimentos em valores jamais aplicados em um governo. Para seu sucessor, prevê como principais desafios as áreas da Saúde e da Segurança. “São as de maior complexidade.”

 

Educação

A Educação pública foi um dos setores mais atingidos pela crise econômica, uma vez que muitos estudantes migraram de escolas da rede privada para escolas da rede pública. Mesmo assim, para o secretário Deschamps, da Educação, o ano foi muito positivo, resultado, em parte, do trabalho feito em exercícios anteriores para equacionar questões de carreira dos professores.

No total, o Estado tem 1.073 escolas com 506 mil alunos e 42 mil professores, distribuídos em ensino Fundamental, Médio, Médio Integral em Tempo Integral, Médio Inovador, Médio Integrado à Educação Profissional, Educação de Jovens e Adultos, incluindo população quilombola e carcerária. Somam-se aí as mais de 27 mil bolsas de estudo, de 25% a 100%, para graduação e pós-graduação (artigo 170).

Para 2018, ele prevê a expansão de algumas novidades tecnológicas, como matrículas online, modalidade de Educação à Distância de Jovens e Adultos e ampliação da velocidade da internet. Deschamps falou também sobre a reorganização das unidades escolares, um ajuste da oferta à demanda, o que já levou ao fechamento de perto de cem unidades. “O crescimento demográfico em índices menores torna isso obrigatório do ponto de vista da gestão”, explicou Deschamps. O governador completou dizendo que, enquanto o processo de queda do índice de crescimento demográfico da Europa levou 100 anos, o Brasil está chegando à mesma taxa em apenas 25 anos.

O secretário da Educação destacou ainda a parceria com cooperativas e produtores familiares para o fornecimento de alimentação (R$ 16 milhões), a articulação com os municípios para uma série de ações, implantação do sistema preventivo de incêndio nas unidades (R$ 12,2 milhões), recuperação de escolas afetas por vendavais no Sul do estado (R$ 12,8 milhões), revitalização e construção de escolas, com 102 unidades concluídas e outras 178 em andamento (R$ 84,2 milhões), o investimento na manutenção escolar (R$ 13 milhões) e transporte escolar (R$ 80 milhões), incluindo renovação da frota. Além disso, mil novos professores e cargos administrativos concursados estão sendo efetivados.

 

Infraestrutura e Deinfra

O secretário-adjunto da Infraestrutura, Paulo França, e o presidente do Deinfra, Wanderley Agostini fizeram apresentações complementares. Em um gráfico, França mostrou que 1.700 quilômetros da malha rodoviária de responsabilidade do Estado sofreu algum tipo de intervenção. “Isso equivale a quase 35% de toda a extensão”, calculou.

Em 2017, 12 grandes obras rodoviárias foram concluídas, em todas as regiões, somando quase R$ 371 milhões em investimentos. Outras 38 estão em andamento, com um total de R$ 2,6 bilhões. O adjunto falou ainda de ações em ferrovias, portos e aeroportos. Para 2018 e os próximos anos, ele prevê a conclusão das obras do Pacto por SC Infraestrutura, elaboração de estudos para ampliação de capacidade de trechos de rodovias estaduais, como SC-283, no Oeste, e SC-108, Jaraguá do Sul/Blumenau e Brusque, e a exigência, junto ao governo federal, de intervenções consideradas prioritárias para Santa Catarina.

Entram aí a ampliação de capacidade e duplicação de trechos de rodovias federais (BRs-280, 282, 470 e 101) essencialmente em seu trecho norte; a implantação de ferrovias (Leste/Oeste, Litorânea e Norte/Sul); e ampliação de capacidade rodoferroviária no Porto de São Francisco do Sul.

Já o presidente do Deinfra apresentou uma série de obras que estão em andamento, chamando a atenção para o fato de que 80% da malha rodoviária pavimentada de Santa Catarina são da década de 1980. Nesse período, o fluxo e o peso dos veículos, especialmente de cargas, cresceram exponencialmente nesse período. “Outra mudança de paradigma é que, antes, os prefeitos vinham ao governador para pedir que a rodovia passasse por dentro da cidade. Hoje, ao contrário, eles pedem contorno viário”, observou. Ele comemorou o fato de Santa Catarina ser o único estado do país a ter todos os seus municípios com pelo menos um acesso pavimentado.

 

Defesa Civil

Moratelli focou no sistema de alertas para a população, que já acontece por meio das mídias digitais e, mais recentemente, com a implantação do sistema por SMS, lembrando que, para se chegar a esta possibilidade, foram necessárias ações estruturantes, como a implantação, com recursos do Estado, dos radares meteorológicos de Lontras (R$ 12,5 milhões), de Chapecó (R$ 14 milhões) e o radar móvel do Sul (R$ 4 milhões). “Foi necessário vencer muitas etapas, até de regulamentação para o uso do SMS. O objetivo é chegarmos a um milhão de cadastros em 2018, o que representará informação confiável chegando a pelo menos 3 milhões de pessoas.” A sobre elevação de barragens e o uso de tecnologia também ajudam na gestão de crises.

A Defesa Civil catarinense, referência para outros estados, está realizando o Mapeamento de Risco Geológico e Hidrológico. Em 18 meses de trabalho será feito um diagnóstico completo do território catarinense, indicando os pontos que precisam de maior atenção e cuidado. Moratelli mostrou um mapa com a localização dos 20 Centros Integrados de Gerenciamento de Riscos e Desastres Regionais (Cigerds), boa parte já em funcionamento, com salas de situação ligadas ao Centro de Florianópolis, que articula todos os órgãos envolvidos. “A atuação da Defesa Civil, de qualquer parte do mundo, não se restringe aos eventos climáticos. Podemos ser acionados por todas as áreas do governo para trabalhar desde uma crise do meio biológico animal até um colapso de estrutura, como uma ponte”, explicou.

Fotos : Julio Cavalheiro/Secom

Andréa Leonora

CNR-SC/ADI-SC/Central de Diários

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